O Inácio cantoneiro de limpeza, até algum tempo foi despedido o ano que passou, por razões que não quero aqui nomear, no entanto o que adianto é que foi vitima do mundo moderno, por razões que a própria razão desconhece, eu até à pouco tempo cantoneiro de limpeza comecei a pensar o que seria se se passasse comigo algo idêntico, pensado na exclusão social que grassa em Portugal e no mundo inteiro. Por isso inspirei-me neste caso, para descrever e caracterizar por breves palavras, o que penso de tudo isto. QUANTO AO BLOGUE CAROS AMIGOS,COMPANHEIROS E CAMARADAS SE ME PERMITEM, PARECE QUE SE SE FALA, FALA, MAS NÃO SE DIZ NADA, SIM PORQUE SÓ EU A ESCREVER E A FALAR, TAMBÉM CONTRARIA O QUE MUITOS DE VOCÊS DIZEM, QUE TEM QUE HAVER DIFERENTES E DIVERSIFICADAS OPINIÕES.
A noite escura espiava no silêncio a medonha sociedade, fantasmas de ácaros vivos e sedentos, banqueteavam-se crustados nos fios de luz das lâmpadas públicas, as sombras reflexo das pessoas que passam apressadas, são marionetas que dançam, com o festim e o frenesim, daquela tela que mais parece um desenho animado; as luzes perseguindo as sombras, que fogem apressadamente. Risotas ecoam como um vaivém pré-histórico que se funda no silêncio, dísticos redondos, símbolo da paz, prolongam-se do fumo do cigarro que sai calmamente da boca do Inácio, à cinta o farnel para arranhar a fome, nas suas mãos tisnadas e raquíticas o medo, a linhas segmentadas de uma vida jovem, atribulada, como facetas do mundo moderno. O seu trajecto sempre o mesmo, cava um horizonte sem projectos, as olheiras reflectem nos seus olhos verdes a esperança, mas o cansaço da vida sobrepõem-se-lhe pelos planos que traça e riscos que corre, para quebrar a monotonia da vida e do quotidiano.
18.10.09
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