1.4.09
Rescaldo da Assembleia geral de delegados sindicais
Inicio neste espaço o prolongamento da minha intervenção que podia ser melhor e talvez tenha sido pobre e parca de palavras, mas é que se começar a falar exprimo toda a minha revolta, tudo o que sinto em termos de imposição e ditadura na limpeza urbana e o mais grave é que mesmo no seio do sindicato, alguns trabalhadores não se organizam, o conflito é essencial nestas reuniões, mas não ao ponto de muitos darem tiros nos pés ou nos tomates, como foi referido em determinada altura. As estratégias são de cada um e têm que ser respeitadas, mas é preciso reflectir nelas com cabeça tronco e membros. Pelo que me apercebi as intenções do STML foram a de dar voz aos trabalhadores, sendo que os mesmos merecem colectivamente respeito nas suas opções, foi isso que transpareceu. Mas tem que haver negociação e essa pertence inequivocamente ao sindicato, romper unilateralmente com essas negociações é não ter efectivo respeito pelos trabalhadores: POR ISSO É QUE EU DIGO QUE É PRECISO ABANAR AS INSTITUIÇÕES, romper com o snobismo, a prepotência e a arrogância dos dinossauros, figuras emblemáticas, que corporizam a congregação de forças ocultas de poder, que desprestigiam a instituição secular que dá pelo nome de Câmara Municipal de Lisboa e antes promovem os seus interesses individuais, se escondem e lançam a confusão. Que seja convocado um plenário com todos os trabalhadores da limpeza urbana e lhe "caguemos à porta", já que passamos por arruaceiros e outras coisas mais, ninguém gosta de ser espoliado e roubado, ainda por cima quando demos tudo a esta casa e somos verdadeiros artesãos do nosso trabalho. No rescaldo desta direcção foi sintomático a transmissão da consciência de classe e sensibilidade transmitida em determinada altura, no acto de dar, sem receber nada em troca, apenas o reconhecimento na defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores, em que se torna de extrema e principal importância todas as dinâmicas individuais, na defesa do colectivo. No período de dia no meu posto:zona 3; Largo do Mastro, todos os trabalhadores foram unânimes em cumprir o estipulado em Assembleia, cumprir o horário que fizemos até aqui, porque não existe por enquanto a legitimidade em cumprir outro. No período nocturno em que estou a trabalhar, (tinha a despensa do sindicato), mas penso ser de minha obrigação informar os trabalhadores do que se está a passar, os meus cinco sentidos apanharam alguma coisa no ar, a primeira reacção à minha entrada no bar, foi a de um trabalhador me pedir que queria que lhe levasse um papel para desistir do sindicato, a segunda era que o sindicato não fazia nada apenas promovia os seus interesses, a terceira foi a de quando mais o sindicato mexe nas coisas pior: aqui respondi que não foi o sindicato que pediu a privatização contra a qual lutamos com êxito, não pediu o pagamento de 60% das horas sobre o salário base e também não pediu estes horários de trabalho. O sindicato meus amigos, só aconselha e propõe, fui respondendo e defendendo interesses que são dos meus colegas e também os meus. NA tentativa de me ouvirem, disse educadamente que queria transmitir-lhes o que se está a passar antes da 23h00, porque o Encarregado de Brigada não me deixa falar à hora do ponto, recebi como resposta de um trabalhador que só pegava ao serviço às 23h00. Não posso deixar de reflectir em tudo isto e pensar que os trabalhadores precisam cada vez mais de integração e de que os defenda e no acto de dar e receber a partilha de solidariedades diversas. Fico a pensar nas manobras maquiavélicas que se transmitem neste sector e no jogo duplo dos encarregados e das chefias, para confundir e dividir os trabalhadores e o mais giro é que alguns parecem Jericos, atrás de uma cenoura à frente dos olhos, que perseguem e nunca mais apanham, mas lá vão cantando e rindo, com os cabelos do peito à mostra e os pentes no bolso. O encarregado de brigada com o seu ar grave e sério, foi dizer aos trabalhadores que eu queria falar com eles e todos se levantaram parecendo almas penadas do "lausperne ao curro",( posso aqui, até ver medo e não respeito), apercebi-me essencialmente de que se repunha naquele momento determinado tom de autoritarismo, algo que é preciso lutar com as nossas dinâmicas individuais e não sermos ingénuos ao ponto de dizermos que não precisamos de favores, eles são essenciais para as nossas estratégias e quando queremos fazer passar a nossa mensagem. EXTRAPOLEI AO MÁXIMO TUDO O QUE ESTÁ EM CIMA DA MESA, TODAS AS MINHAS CONVICÇÕES, GESTICULEI, ESBRACEJEI, ATAQUEI E DEFENDI TUDO E TODOS, FIQUEI ROUCO EM 10 MINUTOS DE ANTENA. PELO MEIO APENAS UM SAIU, TALVEZ FERIDO NO SEU ORGULHO, A HUMILDADE É UM DOM EM QUE MUITOS NÃO TIVERAM BOA CLASSIFICAÇÃO, E NO FIM OS RESTANTES BATERAM PALMAS. Palavras subtis que podem cativar, (porque se o silêncio é de ouro, diziam os nossos antepassados e eu digo que a palavra é de platina, quando se pretende alertar para as injustiças), só as sei transmitir na defesa dos reais interesses dos trabalhadores, (pois considero-me tão humilde como os que me bateram palmas), é essa a minha função como delegado sindical, não quero ter o dom da palavra como o Sócrates demonstrou no comício do seu partido em Espinho, que não passa de um Homem só, isso não quero, se tivesse uma posição de encarregado de Brigada ou de chefia seria sobretudo humano e justo ( também aqui não sou radical, subjectivamente o Encarregado de brigada, podia até estar repor alguma justiça quando chamou os trabalhadores para me ouvirem). E PORQUE ESTAMOS EM ANO DE ELEIÇÕES A LUTA É NOSSA CAMARADAS...........contra a imposição de horários de trabalho, defende os teus direitos. Religiosamente tenho que falar que este ano de eleições, pode ser a nossa salvação, para ficar de um vez por todas preto no branco, o registo de horários dignos para a limpeza urbana, algo que fique na história e vinque a unidade dos trabalhadores de uma vez por todas, em lutas para o futuro.
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